Sunday, October 11, 2009

Onde está Wally, o Analista de Sistemas?

O conhecimento no Negocio é um valioso trunfo para os Gerentes de Projeto, que pode fazer a diferença entre o sucesso e o fracasso de um projeto.
Recentemente, lendo um artigo entitulado “Whose Job Is it, Anyway?” de autoria de Gary R. Heerkens, MBA, CBM, PMP, na Revista PM Network (PMI Sep 2009 N.9), na qual o autor explora as vantagens de se conhecer o Negocio na qual se gerencia o projeto, me veio a mente a figura do “Antigo Gerente de Projetos, o então Analista de Sistemas”, sujeito que, nos primordios da Tecnologia de Informação, buscava “traduzir” para uma linguagem técnica, as necessidades de informação de clientes e departamentos, constituíndo-se no elo de ligação entre os “Programadores de Computador”, técnicos de linguajar indecifrável, dominadores das linguagens de programação e do mundo cibernético, e os “Usuários”, conhecedores de operações de Negocio, ávidos por informação que facilitasse o processo de gerar valor a companhia. O Analista de Sistemas, geralmente um ex-Programador, com experiencia em diversos projetos, de diversas areas da companhia, e ainda com a comunicação mais desenvolvida do que aquele “Tecniquez Bit-Byte”, apoiava-se na experiência previa em programar e configurar, para atingir positivamente aos Programadores, elaborando especificações de programas cada vez mais objetivas , bem como, usando o conhecimento adquirido junto aos Usuários, de forma a atingir não só o requerimento do cliente, mas também os objetivos do Negocio. Para tal, o Analista de Sistemas tinha que contar com a curiosidade aguçada, a vontade de conhecer os meandros, fossem dos Computadores, fossem dos processos de Negocio. Esses “Pre-Gerentes de Projetos”, apesar de não serem experts nesse ou naquele processo de Negocio, ou nessa ou naquela linguagem de Computador, constituiam o importante elo de ligação entre o objetivo e o resultado, entre o sucesso e o fracasso.
O mundo evoluiu, a tecnologia ficou mais amigavel, as metodologias de projetos foram desenvolvidas, os Usuários estão mais conscientes do que precisam.
Atualmente porem, me deparo com Gerentes de otima formação, muitos certificações por entidades idoneas, internacionais, possuem MBA etc., e que atuam em diversos Projetos, por longos períodos tempo, e que, apesar disso, findos tais projetos, não são capazes de listar os benefícios daquelas iniciativas pela perspectiva, seja de Negocio, seja de Tecnologia, limitando seus esforços em dominar a teoria do Gerenciamento de Projeto, as Metodologias, as Ferramentas etc.. dando-me a impressão de que, apesar das características de um Projeto que aprendemos nos primeiros contatos com a atividade, essa função tornou-se puramente seguir uma cartilha, uma receita de bolo.
Um Projeto é o meio de se atingir um objetivo, através de ações e tarefas coordenadas, envolvendo pessoas ou não, tal qual aprendemos no primeiro dia de aula ou nas primeiras linhas da literatura especializada disponível. Isso significa dizer que o fim de um Projeto vai trazer melhoria em um processo, em um Negocio. As habilidades de um Gerente de Projetos incluem a vontade de transformar, de melhorar e aprender, o que não cabe em um processo repetitivo. De nada adianta dominar técnicas como “Prince2”, “Scrum”, “MSProject 2007 Server”, comunicação eficiente, apoio da direção etc.. se um projeto não trouxer benefícios, não só para nossos Usuários/Clientes, mas também para nós, os Gerentes de Projetos.
Ai cabe perguntar: por onde andam os “Analistas de Sistemas” ou os “Pre-Gerentes de Projeto”, profissionais muitas vezes chamados pela direção de suas companhias para participar das decisões de Negocio, tamanho era o conhecimento que detinham nos processos, e não somente nos impactos em sistemas?
A complexidade dos projetos, apesar da tecnologia, metodologia, formação etc., tem aumentado mais e mais nos tempos atuais, o que tem demandado esforço extra dos Gerentes de Projetos em lidar com tantas variáveis. ERP, BI, WEB, Cloud computing etc.. tem se mostrado eficientes e flexiveis mas, devemos lembrar que, por tras dessas ferramentas, um processo de negocio deve ser atendido e mais do que isso, entendido e, cabe ao Gerente de Projetos, senão o papel principal, o coadjuvante na transformação de uma ideia em implementação bem sucedida.